Em entrevista à UEFA.com: Quaresma, o Dragão mágico

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Apelidado de “Harry Potter”, Ricardo Quaresma fala ao UEFA.com da lealdade ao Porto e de como a sua mãe assegurou que o futebol levasse a melhor sobre o hóquei.

Membro da equipa do FC Internazionale Milano que em 2009/10 venceu a UEFA Champions League, Ricardo Quaresma pouco mais tem a provar na principal competição de clubes da Europa mas, aos 31 anos, o extremo está empolgado por continuar a exibir-se ao mais alto nível pelo FC Porto, o clube onde aprendeu as mais valiosas lições de futebol.

UEFA.com: Na sua juventude que jogadores mais o inspiraram?

Ricardo Quaresma: Admirei muito o Luís Figo, porque [tal como Quaresma] começou nos escalões de formação do Sporting. Depois ele foi para o Barcelona, conquistando o que conquistou lá, e depois seguiu para o Real Madrid. Teve uma carreira admirável e isso inspirou-me para seguir as suas pisadas.

UEFA.com: Alguma vez pensou que não seria futebolista profissional?

Quaresma: Houve uma altura em que, em vez de futebolista, quis jogar hóquei em patins, penso que na altura todos na minha escola – tal como os meus vizinhos – jogavam hóquei. Foi bom que a minha mãe não me tivesse deixado jogar e hoje estou onde estou.

UEFA.com: Qual foi o melhor conselho sobre futebol que recebeu?

Quaresma: Há uma pessoa que jamais esquecerei e que infelizmente já não está entre nós, João da Silva, que me tratou com se fosse seu filho, aconselhando-me sempre. Uma vez disse-me algo que nunca devemos mudar – a nossa maneira de ser. Tento sempre manter-me fiel a esse princípio.

UEFA.com: Gerou-se muita expectativa em torno de si quando era jovem. Como foi viver essa experiência?

Quaresma: Foi bom.  Sou uma pessoa que sabe lidar com a pressão. Enfrentei mais dificuldades na minha vida sendo famoso do que por ter de enfrentar a pressão durante a semana, durante uma partida ou por ter de mostrar as minhas capacidades. Penso que é muito mais difícil lidar com a fama.

UEFA.com: A primeira vez que jogou na UEFA Champions League foi pelo Porto, em 2004/05; o que recorda desse tempo?

Quaresma: Foi excelente para mim, porque eram os campeões e foi um prazer e uma fonte de orgulho vestir a camisola pela primeira vez. Quando em 2004 assinei pelo Porto, vinha do Barcelona. Não conhecia bem nem o clube nem a cidade, mas tive capitães que me apoiaram sempre e ensinaram-me o que sei hoje: jogadores como o Jorge Costa, Vítor Baía, Costinha, Maniche, Nuno Valente. E penso que todos me passaram aquilo que sinto hoje pelo clube. Assinar pelo Porto foi a melhor coisa que poderia ter feito porque – em termos de troféus e de crescimento como homem e não apenas como jogador –, tudo aconteceu no Porto. Tentei dar tudo em campo para retribuir o que tinha recebido e também a admiração.

UEFA.com: Aos 31 anos, já jogou em vários grandes clubes e ganhou uma série de troféus. Globalmente, como avalia a sua carreira?

Quaresma: Estou feliz com aquilo que consegui até agora. Talvez pudesse ter feito mais, mas há oportunidades na vida que aproveitas ou não – e por vezes falhamos algumas. Mas não lamento nada do que fiz. Tenho 31 anos. Sei que em Portugal se é considerado velho quando se chega aos 30 mas, em Espanha, Inglaterra e Itália há jogadores mais velhos do que eu ainda a jogar. Continuo a viver um momento fantástico – não penso que a idade seja problema. Enquanto tiver força nas pernas sinto que posso dar muito ao clube. Vou continuar a trabalhar muito mas estou muito contente com o que fiz até agora.

UEFA.com: Ainda sente algo especial por jogar na UEFA Champions League?

Quaresma: Orgulho – orgulho por ser capaz de ir mais uma vez para dentro do campo e representar o clube que amo. É uma fonte de prazer para qualquer jogador, porque é algo diferente. É, de facto, uma competição única, penso que é a melhor do futebol.


Fonte: http://pt.uefa.com/uefachampionsleague/news/newsid=2233719.html
Fotografia: ©AFP/Getty Images